

- É um pássaro!?
- É um avião!?
- É, é um avião.
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Manda bala:
eduárido 6:56 PM
El Mustache
Manda bala:
eduárido 11:31 AM
Cuspi. Esqueço. Rápido. Desde sempre essa de esquecer por convenção abraça teu irmão, pede perdão! Mudo da água pro vinho num segundo. Mudo de novo pra mágua num segundo tempo, zero a zero. Tem que ser assim, a gente se acostuma, quem sai na chuva é pra morrer de canivete. Masca a vida em pedaços e depois cospe na bacia do dentista. Dois dentes, meu amigo, arrancados. Custa dez meses tentando se levantar de novo. Diaoutro vejo o que faço da minha carcaça. Saco cheio não para em pé. Pensa rápido. Divagar. Quem não catarse que me des-cuspa.
Manda bala:
eduárido 12:20 AM
Se a jeni me pedisse
preu cair de baixo em riba
construia uma gangorra invertida
ao contrário da gravidade
do problema que me cria.
que me creia a santa maria
e que me perdoe a língua
mas se jeni assim morresse
de repente assim se ísse
eu fugiria pro nada
levaria junto a nayra
pra casar comigo, triste
e ela até aceitaria
procurava uma faísca
nas coisas que jeni cala.
Manda bala:
eduárido 12:18 PM
Veja bem que quando fui-me embora com a neblina trás de mim não aguentei tua malícia. Uma moça que pairou sobre meus braços procurava sem saber a coisa aflita. Eu em desencanto chafurdava, em maresia de uma noite atrapalhada. Miserável! Como pôde me afundar na prateleira de teus casos? Eu te pus no pedestal de uma montanha e esperei a coisa toda se esfriar. Tive um porre de marasmo, me matei sem te avisar e você pegou carona na vertigem de outros traços. E você jogou meu pranto numa carta sem destino, afogou-se no abraço embaraçoso de outro acaso. Reparei que teu sorriso tinha um laço destinado a se romper e temi que me esquecesse, me pisasse...
e temi que se esquecesse de pisar-me.
Manda bala:
eduárido 11:51 PM
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Manda bala:
eduárido 5:59 PM
Sabe quando tem um buraco no lugar do dente?
Manda bala:
eduárido 11:52 PM
[mudo]
quem sabe falo tudo
quem sabe em nada
[mudo]
Manda bala:
eduárido 6:31 PM
- Estou tão sozinho, e desligo.
Saí pela rua matando cerveja a grito e chutando depois as latas. O frio é assassino. Melhor mal acompanhado que só. Dói. Ninguém atendeu o telefone, interfone, internet, internado pra sempre.
Do outro lado nem sozinha está. Só um pode ficar de cada vez. Só comigo. Telefone toca pra quem não quer ouvir. Quem atende nunca é. Não está, ligue depois. Eu ligo nunca mais, pelo menos por enquanto. Só caindo é que se levanta. A lata que chuto chora. O choro também me chuta. Tento sorrir. Rio de ironia. Ria também, mas de outro palhaço. Na beirada da calçada tem um rapaz que chora por dentro e não conta pra ninguém. Coração de imã, mundo de papel machê vira mera pedra. Ninguém gosta de pedra. Alguém já mandava atirá-las.
Manda bala:
eduárido 5:47 PM
Falta de inspiração concretista:
CABEÇA
nada
na
da
nada
Manda bala:
eduárido 1:48 PM
PENSAMENTOS AVULSOS
Estagnada, parada, sentada, pensando, a moça observava o chão, piscando pesado, com um sono que arrastava as pálpebras pra baixo ou giravam os olhos para cima. Sentada na cadeira da escola, ficava ali a olhar como um velho que vê televisão. Sem mover seus músculos frágeis, sem ouvir a importância da matemática, apenas olhando o chão, concentrada e imóvel. O chão de madeira continha papéis de bala, jogados por um garoto pouco antes. Sim, ela olhava um dos papéis. Tentava decifrar o que estava escrito nas laterais, repensava mil vezes o nome da bala, lia o sabor incansavelmente, a forma, a cor, a sombra, concentrada em manter os olhos abertos. Os olhos estáticos analisavam minuciosamente o papel. Só seu pensamento falava, com lentidão. Framboesa é um bom sabor. Gosto de balas de framboesa. Framboesas parecem amoras, mas misturam morango junto. Lembra-me das pitangas da chácara... O papel é roxo. Minha mãe gosta de roxo, ela é tão divertida. Lembro que quando pequena eu... Susto. O pescoço cambaleou para frente e pelo canto da boca escorreu um pingo de saliva, que foi pousar na folha do caderno. O coração palpitou rápido, a mão na boca e no caderno foram ligeiras. Olhou para o lado, mais assustada. Alguém viu?! Será que tem alguém rindo de mim. Levantou o olhar pra sala. Seus colegas apenas olhavam a lousa, conversando entre si, rindo, entre eles, sem se dar ao luxo de olhá-la no fundo da classe. Tudo costumeiro. A professora explicava como achar o delta. Matemática. Concentre-se na matemática. E agora se concentrava no delta desenhado antes da fórmula. Triangular, esse delta. Preciso me concentrar na fórmula, é o xis que acha com o delta? O delta... Delta, tipo do Nilo, lá no Egito, e tem as pirâmides triangulares, que você entra. Os egípcios conheciam bem matemática. Será que eles inventaram isso de delta? Bom, mas inventaram as pirâmides, ou só construíram? Tem múmias, veja só, múmias com esparadrapos destes que a gente põe no machucado. Ih, ontem que minha mãe pisou num prego. Teve que tomar vacina contra tétano! Gozada a injeção. Usam até pra matar gente. Credo, já pensou eu morrer desse jeito. Eu sento numa cadeira, assustada. Um homem, de cabelos grisalhos e cara de mordomo abre a porta de aço, que range. Fico mais alerta, sei que vou morrer. Ele bate a porta atrás dele, um estrondo abafado. Na mão há uma bandeja com a seringa. Estou amarrada numa cadeira. Meus olhos procuram qualquer coisa pra ajudar, movendo-se nervosamente para todas as direções. O homem chega à mim e dá uma risadinha cínica. De repente num sopetão enfia a seringa no meu braço magro. Tudo vai ficando leve, nem sinto dor. Minha vista escurece, meu pescoço vai amolecendo até tombar no meu ombro e, Pimba! Levanto-o de volta para olhar a fórmula. Dessa vez meu colega viu, e já deu uma risadinha. Rio nervosamente em contrapartida, pra demonstrar que estou sempre alerta e que não vou mais dormir. Vou me concentrar em várias coisas, pra não ficar em só uma coisa e acabar cochilando. A gente quando olha muito pra uma coisa, a gente pira, começa a imaginar um monte de coisas, e o cérebro vai contando várias historinhas, e quando você se dá conta, já se distraiu, perdendo a matéria na lousa. Luosa? Cadê a lousa?
Manda bala:
eduárido 3:29 PM
amor é uma coisa que dá
e passa
Manda bala:
eduárido 9:28 PM
AMOR
AMORNO
AMORTO
Manda bala:
eduárido 9:28 PM
Eu novo aqui!
ex-trapo lá!
Manda bala:
eduárido 4:55 PM
Estou pronto pra me jogar da janela e rolar até o mar.
Manda bala:
eduárido 9:34 PM
O rapaz que coçava o saco
Tava lá coçando o saco, o rapaz. De pé fedendo, sanduba na mão, refri na outra, assistindo o Chaves, deitado no sofá, bem vagabundo mesmo. O telefone tocou. Esperou a propaganda, praguejou contra a porra do telefone que ringueava sem parar. Disse um alô com a boca cheia de presunto. Sem resposta. Mastigou mais um pouco; engoliu. Só aí disse outro alô. O telefone fez tu tu tu tu ... Fez assim com o ombro, jogou aquela porra no gancho. Aproveitou pra pensar porque chamava gancho o pino que segurava o telefone.
Foda-se, começou o Chaves. Mal sentou, já ia deitar, o telefone de novo. Agora já deixou tudo no sofá, abaixou o volume e não deixou o terceiro toque gritar. Disse alô? Ali do outro lado alguém respirava. Alôou? Nada. Quer saber, pensou, foda-se de novo. Pôs agora no pino do telefone. melhor pensar gancho mesmo. Dá trabalho falar pino de telefone. Foi deitar de novo e ring-ring. Deixou tocar, não vai atender a merda do telefone, porra. Tão me fazendo de palhaço? No nono toque parou. Ele riu da vitória, pôs no cinco. Passava novela, vale a pena ver de novo. Tinha uma mulher meio pelada. Deixou por um momento. Cansou. Desligou. Telefone tocou !!! Agora atendeu prontamente, como se tivesse mais chance de ouvir resposta atendendo rápido. Agora soltou um Pronto?! (ou !?, algo meio monaliza da expressão). Respiração, ouviu. Oi, fala, foi o que saiu. Tu tu tu tu...
Não entendeu nada. Ligou pra casa do amigão, aquele doido. Devia ser mesmo ele tirando um sarro. É meio porra louca, sabe? Ligou pra lá e a mãe disse: "Ele tá na igreja, quem é?". Desligou. Aquela velha não vai com a minha cara. Passou uma idéia na cabeça. Acho que foi isso. Alguém que não quer falar comigo, quando ouve minha voz desliga, o miserável. Minha mãe tá viajando e só volta amanhã. Acho que é algum velho sacana querendo comer minha mãe... Deixe estar.
Desencanou. Nem ligou mais. Foi na geladeira ver que lanche ia fazer agora. Pegou mais refri, um pedaço de bolo da festa do primo. Deixou a bandeija vazia na geladeira. Colocaria a culpa no irmão mais novo, que também viajava. Foi lá no banheiro, soltou um mijão gosotoso, balançou a piroca. Coçou o saco de novo, mas que coçeira danada. Foi pro quarto. Ligou o rádio no ultimo volume, ouviu um rock pesado. Pulou feito um sapo. Cansou. Desligou. Telefone: Alô? Diga aí. Diga tu. e tu tu tu tu. Ainda tinha paciência. Não ia perder a guerra nem fodendo. Agora tava pronto. Acabou de pensar nisso, tocou o telefone. Antes de atender olhou pela janela, não tinha ninguém na rua. Atendeu e ficou em silêncio. Só papo de respirações. hunf, hunf, hunf, e agora quem ouve tu tu tu tu primeiro é o idiota. Vitória! Não, cacete, perdi a batalha, desliguei primeiro. O outro deve estar rachando o bico de lá. Se ele desligasse primeiro, eu teria o mérito dele ter ficado sem graça, e não eu nervoso. Arrombado!, falou sozinho. Ficou ainda um tempo do lado do telefone, esperando tocar.
Saiu. Não tinha nada que fazer. Já ouviu rádio, viu tv, comeu, bebeu. Vai dormir, vai, disse o cérebro cansado. E foi. Nem lavou o pé. Caiu de cara no travesseiro. Foi o tempo de cochilar um pouquinho, sonhou com uma vagabunda, bem peituda. Levantou de pau duro e foi no banheiro. Quando pensou em tocor uma, tocou. Pôs pra dentro o pinto já se desmoronando pra baixo. Socou ainda a parede antes de atender. Fala, caralho! Agora tinha uma risadinha antes do velho tu tu. Derrota. Nunca xingue num trote. É um troféu pro lado alheio. Já ficava impaciente. Passou a fazer outras coisas. Alimentou os perequitos da mãe, deu comida pro Bili, que já grunhia desde cedo. Voltou pra sala. Só o barulho de um caminhão na rua, e nada mais, bem longe. Olhava o telefone. Não tocava. Já ficava impaciente. Já mordia um canto da buchecha pelo lado de dentro. Pegou o telefone e ligou prum pessoal. Ô, você ligou pra cá? Não, sempre ouvia. às vezes seguido de um tá louco? ou um Por que? Desligava logo. Não tava pra papo. Só pra saber, respondia, Tchau, tô sem tempo! Foi até a letra V, parou várias vezes no caminho, esperando uma ligação até que chegou na Viviane, a ultima da lista. Não. Ela também não ligou. Tá certo, então. Até mais. Desligava. Tocou na mesma hora. Atendeu, achando que era alguém que ele acabava de ligar, mas era o mudo maldito. Porra, cara, tá me enchendo o saco já, caralho. Me deixa pelo amor de Deus eu tô cheio de responsabilidades pra cumprir e você ainda fica me ligando pra nada? Vai, pô, por favor, cara. Não ouviu nada além do tu tu tradicional. Pôs também o telefone no gancho. Acabou mais um sanduiche, olhando sempre pro telefone. Leu um gibi no banheiro enquanto cagava. Saiu, olhou o telefone mais um pouco enquanto coçava o saco. Tava ficando sem graça, mesmo. Foi até o sofá de novo, brincou com os próprios dedos. Olhou nervosamente o telefone. Mexeu no fio pra ver se não tava frouxo. O telefone de casa tem um probleminha, sabe? Não. Tudo em ordem. Foi cochilar. Dormiu dez minutos. Acordou, achando que tinha ouvido o telefone tocar. Correu pra sala e atendeu. Nada. Ninguém. Nem tocar tocou. Olhou pro ponteiro do relógio que fazia um barulho tremendo na casa oca. Olhou o telefone. Não tocaria mais. Suspira entediado, tão só.
Manda bala:
eduárido 5:23 PM
SÓ SAD
- O que faz um rapaz aqui, sozinho?
- Espero.
- Espera o quê?
- Espero alguém.
- Hunpf! Espere alguém saber disso!
- Era o que eu esperava...
Manda bala:
eduárido 12:35 AM
Nau frágil
Um vazio agudo aguça espeta empena apaga um ar de nada bate baque bafo abafado abraçado ao barco no mo mar sem ar sufocar afogar afugentar aguentar. Só . fisgar veia do fígado dormir de pálpebra rasgada arrancada devorada roída agonia gritante o grito rouco pouco morto de golado dor de cabeça aguda ajuda, socorro, vomito escorro afundo sugo nariz com soro choro canudo de ar pescoço enforcado farpado facada navalha orelha cortada testa moída respira soro, socorro, escorro miolo pedaço de perna peneira de sangue retalho de mar. Só. pó de vidro ingerido mais soro embebido, bebo, pêlo, nariz raiz de dor cabeça roída fim do mar, morto sal saliva de bile tossida de esôfago. Afundo. martelo na nuca, Nunca, família filha nascida na ilha, perdida, ferida lambida gasolina barco emperrado nó pulmão sulfoco afundado comido escuro debato bato escureço olho virado barco revirado mar parado solto a dor suspendida, madeira fiapos farpados ferventes aqueçe suspiro enterro dor de peito mar sem jeito sem leito. Deleito afogado
Manda bala:
eduárido 11:31 PM
TV já era
PC-era
Manda bala:
eduárido 9:26 PM